Blog do Maumau
A CEB Ipês tem novo comando e, com ele, um pacote de promessas high-tech para tirar o DF do modo “pisca-pisca”. Em entrevista à TV Globo neste sábado (30), o diretor-presidente Elie Issa El Chidiac afirmou que vai ampliar investimentos em tecnologia — com câmeras em postes, drones e um mapa digital — para acelerar reparos, combater o furto de cabos e dar fim às quedas e oscilações que transformam ruas em passarelas de penumbra. Há um sinal animador nos números: segundo a ouvidoria do GDF, as reclamações por falta de iluminação caíram de 1.642 (entre janeiro e 28 de maio de 2025) para 620 no mesmo período de 2026. Mas, na prática, moradores ainda relatam problemas em várias cidades.
Tecnologia nas ruas: câmeras, drones e mapa digital
- A estatal planeja instalar câmeras nos postes e acionar drones para atendimento imediato a ocorrências, tudo integrado a um sistema com mapa capaz de identificar exatamente quantos pontos de luz estão apagados no DF. Na teoria, isso reduz o tempo entre a falha e o reparo — menos “telefone sem fio” e mais dado em tempo real.
- A promessa inclui ampliar os investimentos e fortalecer as equipes de manutenção. Também há articulação com órgãos de segurança pública para enfrentar furto de cabos e vandalismo.
Pisca-pisca que não é de Natal: o que causa e o que será feito
- Segundo Chidiac, a luz “piscando” nos postes é efeito de oscilações de tensão na rede. Para corrigir, equipes estão substituindo disjuntores subdimensionados — casos em que foram instalados equipamentos de 20 amperes onde o adequado seria 40 amperes.
- Traduzindo do eletriquês: quando o disjuntor é fraco para a carga, a proteção atua fora do ideal, gerando instabilidade. Trocar por um modelo compatível tende a estabilizar o circuito e reduzir o incômodo sem “gambiarras”.
Reclamações em queda, mas o breu persiste
- Entre 1º de janeiro e 28 de maio de 2026, a ouvidoria do GDF registrou 620 reclamações de falta de iluminação pública — bem abaixo das 1.642 do mesmo intervalo de 2025.
- O recado dos números: houve avanço. O alerta dos moradores: o problema não acabou. A diferença entre o painel e a calçada da sua rua costuma morar no tempo de resposta e na qualidade do reparo.
Furto de cabos: tecnologia e polícia de mãos dadas
- A CEB Ipês mira parcerias com a segurança pública e aposta em monitoramento para coibir furtos. Aqui, tecnologia ajuda, mas não dispensa operação de campo e investigação — o “sumiço” de cabos apaga ruas e orçamentos. Se as câmeras conseguirem flagrar tentativas e os drones derem rapidez ao atendimento, melhor. O segredo será integrar tudo a protocolos claros e equipes bem distribuídas.
Opinião do Maumau
- Gosto do caminho: atacar causa técnica (disjuntores) e causa operacional (tempo de resposta) enquanto usa tecnologia para enxergar o problema em tempo real. Câmeras e drones podem ser o Waze da iluminação — desde que não virem enfeite caro sobre postes escuros.
- O ponto crítico é execução com métricas públicas: prazo médio de atendimento por região, percentual de pontos apagados, tempo para restabelecimento após furto, taxa de reincidência do “pisca-pisca”. Se esses números aparecerem com regularidade e melhorarem mês a mês, o morador vai perceber antes mesmo de olhar o painel.
- Um parêntese necessário: câmeras em postes exigem regra do jogo. Objetivo deve ser manutenção e flagrante de crime, não vigilância difusa de pedestres. Transparência e limites de uso são tão importantes quanto o cabo que liga o poste à rede.
- Em resumo: a proposta é boa, o cronograma precisa ser público e a logística, afiada. Drones caçam postes apagados; a população caça resultado.
O que observar a partir de agora
- Quando e onde começam as trocas de disjuntores em massa e qual o impacto nos bairros com mais relatos de oscilação.
- Como será a integração do “mapa de pontos apagados” com a ouvidoria e o despacho de equipes.
- Se as parcerias com a segurança pública reduzem furtos e o tempo de recomposição da rede.
Fecho
A CEB Ipês acerta ao colocar tecnologia e manutenção de base na mesma prateleira. O DF não precisa de suspense noturno — precisa de luz acesa, sem cliffhanger. Se o plano sair do PowerPoint e entrar na rua com métricas e prazos à vista, a cidade agradece. Se ficar só no anúncio, continuaremos com a lanterna do celular como iluminação oficial do passeio noturno. Escolha o seu final preferido, CEB Ipês. Nós, aqui do Blog do Maumau, torcemos pelo final iluminado.