Olhar de Cinema reúne mais de 80 filmes do Brasil e do mundo. Confira

Por Maumau, no Blog do Maumau

Curitiba se torna, de 4 a 13 de junho de 2026, o ponto de encontro para quem respira cinema de todo tipo, cor e formato. Em sua 15ª edição, o Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba ocupa alguns dos endereços culturais mais queridos da capital paranaense — MON (Auditório Poty Lazzarotto), Ópera de Arame, Cine Passeio, Cinemateca e Teatro da Vila — com uma programação de cerca de 80 títulos entre curtas e longas. Tem mostra competitiva brasileira e internacional, sessão clássica para matar a saudade, seleção paranaense para fortalecer a cena local e, claro, ingressos acessíveis (a partir de R$ 8 na meia) e sessões gratuitas em pontos específicos. Cinema bom, barato e com personalidade? Curitiba entrega.

Abertura: o mosquitinho que virou ficção de alto risco

O festival abre com Yellow Cake, longa de Tiago Melo, que mira nas consequências de um experimento estrangeiro para erradicar o Aedes aegypti usando urânio. Deu para sentir o cheiro de problema? Pois é: quando a ciência dá a volta e vira desastre, cabe a uma pesquisadora brasileira — com ajuda de garimpeiros — conter a tragédia. Estrelado por Rejane Faria (Marte Um) e Tânia Maria (O Agente Secreto), o filme estreia na Ópera de Arame, em uma tela especial de mais de 400 polegadas, para cerca de 1.500 pessoas. Opinião do colunista: ótima escolha de abertura — mistura tensão ambiental, comentário social e um Brasil profundo que raramente ganha holofote nessa escala.

Encerramento: fé, poder e o abismo na aldeia

Para fechar, estreia mundial de Salvação (Kurtulos), do cineasta turco Emin Alper. A trama se passa em uma aldeia remota nas montanhas, onde o retorno de um clã exilado reacende uma velha disputa de terras. O conflito escala entre convicções religiosas e disputas de poder, enquanto Mesut, irmão do líder local, é tomado por visões que ele lê como avisos divinos. Vamos de tragédia ou de redenção? Aposta certeira para encerrar: drama com nervo político e dilemas morais, desses que acompanham o espectador até o café do dia seguinte.

Mostras: um mapa da cinefilia em 10 dias

Competitiva Brasileira

Longas como A Noite e os Dias de Miguel Burnier (João Dumans), Adulto/Homem (Pedro Diógenes), Fiz um Foguete Imaginando que Você Vinha (Janaína Marques), Maxita (Mariana Machado, Ana Maria Machado), Olhe Para Mim (Rafhael Barbosa), Quase Inverno (Rodrigo Grota), Reparação (Marcus Curvelo) e Telúrica, a íntima utopia (Mariana Lacerda). Curadoria que equilibra vozes autorais e assuntos urgentes — ponto extra para a variedade formal.

Competitiva Internacional

Títulos como Um Calendário Incompleto (Sanaz Sohrabi), Cartas a Meus Pais Mortos (Ignacio Agüero), Se Pombos Virassem Ouro (Pepa Lubojacki), A Noite Já Está Partindo (Ramiro Sonzini, Ezequiel Salinas), Não Me Deixe Morrer (Andrei Epure) e O Profeta (Ique Langa). Um recorte que transita por arquivos, política e invenção — o “velho” mundo continua novo quando passa pela tela certa.

Curtas em disputa

Do Brasil e do mundo, com nomes como Affonso Uchôa (Disciplina) e Mo Harawe (Sussurros de um Perfume Ardente). Formato curto, impacto longo — e laboratório de talentos que logo migram para a seara dos longas.

Novos Olhares

A Paixão Segundo GHB (Gustavo Vinagre, Vinicius Couto), Como Todo Mortal (Maria Molina Peiró), Gato na Cabeça (Laila Pakalniņa), Joy Boy: Um Tributo a Julius Eastman (Walking Backwards Collective), O Mez da Gripe (William Biagioli), Passado Futuro Contínuo (Firouzeh Khosrovani, Morteza Ahmadvand) e Segunda Pele (Dea Ferraz). A janela de risco calculado do festival — onde o “diferente” ganha colo e curadoria.

Mirada Paranaense Sanepar

Destaque para o longa A Holandesinha (João Gabriel Kowalski, Luisa Godoi) e uma bateria de curtas locais. Fomentar a cena é garantir a próxima safra — e aqui o Olhar cumpre papel essencial.

Exibições Especiais

Anistia 79 (Anita Leandro), Barbara Para Sempre (Brydie O’Connor), Flora & Airto: O Som Revolucionário (Jom Tob Azulay), Futuro Futuro (Davi Pretto), Histórias de um Bom Vale (José Luis Guerin) e Rita Moreira: Crônicas, Memórias e Videotape (Sérgio Santos Barroso). Entre memória, música e experimentação, uma trilha paralela que vale o desvio.

Olhares Clássicos Cine Passeio

Sem medo de cânone. Tem Blue Velvet (David Lynch), As Harmonias de Werckmeister (Béla Tarr, Ágnes Hranitzky) e As Aventuras do Príncipe Achmed (Lotte Reiniger), entre outros. Para lembrar que o “novo” dialoga melhor quando conhece o “antigo”.

Pequenos Olhares

Seleção de curtas como A Menina que Queria ser Pedra, Ecos do Amanhã, O Jardim Mágico e Theo. Porta de entrada para novos espectadores — e doses de imaginação para veteranos, porque ninguém é de ferro.

Ingressos, locais e sessões gratuitas

  • Quando: 4 a 13 de junho de 2026.
  • Onde: MON – Museu Oscar Niemeyer (Auditório Poty Lazzarotto), Ópera de Arame, Cine Passeio, Cinemateca e Teatro da Vila.
  • Ingressos: a partir de R$ 8 (meia-entrada), à venda no site oficial.
  • Gratuito: sessões no Teatro da Vila, no CIC e algumas sessões no MON.
  • Site: www.olhardecinema.com.br
  • Redes: Instagram @olhardecinema; Facebook/Olhar de Cinema; TikTok @olhardecinema; X/Twitter @Olhardecinema_

Por que importa

O Olhar de Cinema consolidou-se como um dos festivais mais relevantes do país por combinar risco curatorial, capilaridade de espaços e preços amigos — três ingredientes raros quando a tentação é jogar no seguro. Nesta 15ª edição, a abertura com uma ficção científica à brasileira e o encerramento com drama turco de alto calibre sinalizam exatamente isso: olhar para o mundo sem perder o foco no que pulsa por aqui. Em bom curitibanês: traz o casaco, que a seleção está quente.

Serviço e realização

O 15º Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba é realizado com recursos da Lei Rouanet, patrocínio master do Terminal de Contêineres de Paranaguá e patrocínio de Peróxidos do Brasil, Mili, Itaú, Fomento Paraná e Sanepar; apoio de Cinemateca, Teatro da Vila, Cine Passeio, Icac, Projeto Paradiso, Uninter; apoio cultural do MON; e conta com o Programa de Apoio, Fomento e Incentivo à Cultura de Curitiba (Fundação Cultural de Curitiba e Prefeitura de Curitiba), além do PROFICE da Secretaria de Estado da Cultura do Paraná e Ministério da Cultura – Governo Federal.

Minha aposta no Blog do Maumau

Se você gosta de sair da sala de cinema com mais perguntas do que respostas (no bom sentido), esta é a sua semana. E se a resposta vier, melhor ainda. O importante é olhar — de preferência, com calma, curiosidade e um ingresso na mão.

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