Conheça o data center bilionário de IA que vai atender gigante da tecnologia no interior de SP

Sumaré, na região de Campinas (SP), vai ganhar um data center de US$ 1,2 bilhão dedicado à inteligência artificial. Reservado por uma gigante global de tecnologia — cujo nome, por enquanto, segue na penumbra digna de filme de suspense —, o “Sumaré 3” nasce com 90 megawatts (MW) de capacidade inicial, projeto de resfriamento líquido para domar o calor dos chips e operação 100% com energia renovável. A entrega está prevista para 18 meses após o anúncio feito na quarta-feira (27). Tradução: a corrida pelos cérebros eletrônicos ganhou CEP no interior paulista.

Por que isso importa

  • IA não é só software brilhando; ela exige infraestrutura pesada, elétrica e térmica. Segundo a Ascenty, desenvolvedora do complexo, os racks no Sumaré 3 vão operar entre 60 kW e 1 MW cada — densidades impensáveis nos data centers tradicionais, onde algo como 8 kW por rack é o normal. É a diferença entre uma Kombi e um foguete: ambos têm rodas, mas um deles precisa de plataforma de lançamento.
  • Além do investimento de US$ 1,2 bilhão na infraestrutura, a ocupante do espaço deve aportar outros US$ 5 bilhões em equipamentos e tecnologia. Minha leitura: isso cheira a clusters de GPUs de última geração, do tipo que treina modelos de IA que fazem barulho no mercado (e consomem como uma pequena cidade).

Como será o “cérebro” de Sumaré

  • Capacidade e expansão: começa com 90 MW e pode dobrar, acompanhando a voracidade energética dos workloads de IA.
  • Resfriamento líquido: em vez de ar-condicionado soprando bravamente, o centro usará circulação de fluidos diretamente nos componentes para dissipar calor. É mais eficiente e praticamente obrigatório nessa faixa de potência.
  • Água e energia: a operação foi desenhada para usar 100% de energia renovável e um sistema de refrigeração em circuito fechado. “Hoje, 100% da energia que nós usamos vem de autoprodução. Nosso objetivo é sempre ficar neutro em termos do meio ambiente”, afirmou Christopher Torto, CEO da Ascenty. Sobre água, diz a empresa: “A mesma água que eu coloco no momento que eu estou iniciando a operação do data center, eu vou operar a vida toda com aquilo”, segundo Marcos Siqueira, CRO e chefe de estratégia.
  • Minha opinião: prometer neutralidade ambiental e circuito fechado é música para os ouvidos — e pauta para auditorias. O avanço do liquid cooling reduz desperdício, mas métricas como WUE (eficiência no uso de água) e a “sazonalidade” da matriz elétrica brasileira merecem sempre lupa. Ponto positivo: faz tempo que o setor se move nessa direção.

Por que Campinas e arredores

  • A escolha de Sumaré/Campinas passa por oferta energética, malha de fibra óptica robusta e a proximidade com a cidade de São Paulo. Em outras palavras: banda, tomada e logística.
  • O projeto integra um plano maior de expansão em SP: outros três data centers vêm aí e, somados, os quatro chegam a 150 MW de capacidade. “Estamos praticamente aumentando em 40%, em apenas três meses, tudo o que construímos nos últimos 15 anos”, disse Torto. É um salto de escala que reposiciona o interior paulista como um corredor de computação de alto desempenho.
  • Contexto do mercado: a Ascenty é uma desenvolvedora líder no país e integra o ecossistema global da Digital Realty, gigante de data centers que assumiu a empresa em 2018 em um negócio de US$ 1,8 bilhão. No mundo, a Digital Realty acumula mais de 300 instalações e metas públicas de descarbonização. Para Sumaré, isso significa know-how internacional aterrissando em solo local — e expectativa alta de execução.

IA puxa, infraestrutura entrega

  • Os centros de dados para IA pedem muito mais energia e refrigeração do que os convencionais. É um novo “design pattern” de data center: alta densidade por rack, corredores mais curtos entre energia e chip, e engenharia térmica pensada desde o blueprint.
  • Minha opinião: esse tipo de campus é o que separa discurso de IA de capacidade real de treinar e servir modelos em escala. Se a América Latina quiser jogar na primeira divisão da economia da IA, projetos como o Sumaré 3 são a base do gramado. E, sim, o placar inclui megawatts.

O que observar a seguir

  • Cronograma: obra de 18 meses. Em projetos desse porte, cronograma é rei; qualquer atraso reverbera na fila de modelos para treinar e serviços para escalar.
  • Sustentabilidade auditável: acompanhar relatórios de energia renovável (origem, contratos), indicadores de eficiência (PUE/WUE) e a operação do circuito fechado de água ao longo do ano.
  • E a “gigante” misteriosa: quando o inquilino se revelar, teremos a dimensão exata do cluster — e do impacto na economia local. O número de US$ 5 bilhões em equipamentos já indica ambições de gente grande.

Encerrando

Com 90 MW na largada, resfriamento líquido e promessa de 100% renovável, o Sumaré 3 não é “mais um data center”: é uma usina de IA. Para o interior de SP, é oportunidade de ouro; para o Brasil, um passo estratégico na infraestrutura que alimenta a nova economia algorítmica. Minha aposta? Se o plano for executado no tempo e com a eficiência anunciada, ouviremos bastante sobre Sumaré no noticiário tech — e não pelo pastel da feira, mas pelos petabytes por segundo. Aqui, o futuro chega com barulho de bomba d’água… e muito, mas muito silêncio dentro dos racks.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

You May Also Like