Waldemar Borges morre no Recife aos 67 anos; deputado estadual era marido da ministra Luciana Santos

Waldemar Borges morre no Recife aos 67 anos; deputado estadual era marido da ministra Luciana Santos

O deputado estadual Waldemar Borges (PSB) morreu neste sábado (4), no Recife, aos 67 anos, em decorrência de um câncer. A morte foi confirmada pela esposa, a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovações, Luciana Santos. O governo de Pernambuco decretou luto oficial de três dias; a Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) estabeleceu luto de cinco dias, e a Câmara Municipal do Recife, de três. O velório ocorre neste domingo (5), das 8h às 13h, no plenário da Alepe, no bairro da Boa Vista, e o sepultamento será em seguida, no Cemitério Morada da Paz, em Paulista, no Grande Recife.

Quem foi Waldemar Borges

  • Nascido em 10 de julho de 1958, Waldemar Borges iniciou a vida pública na reorganização da juventude partidária e construiu carreira longeva no legislativo pernambucano.
  • Foi vereador do Recife por quatro mandatos consecutivos (1988, 1992, 1996 e 2000) e presidiu a Câmara Municipal entre 2003 e 2004.
  • Antes do primeiro mandato, ocupou funções no governo estadual, como diretor de Pesquisa e Ação Social da Secretaria de Trabalho e Ação Social e secretário-adjunto de Trabalho, em 1986, no governo Miguel Arraes.
  • Na Alepe, foi eleito pela primeira vez em 2011 e reeleito por mais três mandatos consecutivos. Conhecido por amigos e familiares como “Wal”, estava de licença há seis meses para tratamento, com o suplente Cayo Albino (PSB) exercendo o mandato desde junho.

Velório, sepultamento e família

  • Velório: domingo (5), das 8h às 13h, na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Boa Vista, Recife).
  • Sepultamento: em seguida, no Cemitério Morada da Paz, em Paulista.
  • Waldemar deixa três filhos: Waldemar, Mariana e Luan. Em nota, a família e Luciana Santos expressaram “profunda dor e saudade”.

Repercussão e luto oficial

  • A governadora Raquel Lyra (PSD) lamentou a morte, citando a convivência respeitosa na Alepe e “o amor a Pernambuco”.
  • O presidente nacional do PSB, João Campos, falou em “enorme tristeza” e destacou o caráter, a generosidade e o compromisso do deputado, que “honrou a política com seriedade, ética e espírito público”.
  • O presidente estadual do PSB, Sileno Guedes, ressaltou a trajetória de “dedicação, seriedade e respeito ao diálogo democrático”.
  • Em nota assinada por Álvaro Porto, a Alepe decretou luto de cinco dias e disse que Pernambuco perde “um deputado cuja trajetória foi marcada pela decência, gentileza e defesa coerente das convicções”.
  • A Câmara Municipal do Recife também decretou luto de três dias e frisou a marca deixada por Waldemar nos cinco mandatos como vereador.
  • O prefeito do Recife, Victor Marques (PCdoB), chamou a partida de “grande perda para as causas populares e para a política feita com diálogo e responsabilidade”.

Opinião do Maumau: o deputado que escolhia a vírgula, não o ponto de exclamação

Numa era em que o barulho às vezes vale mais que o argumento, Waldemar Borges parecia preferir a vírgula ao ponto de exclamação: escutava, ponderava e devolvia com diálogo. Não é à toa que tantas notas de pesar convergem para os mesmos termos — decência, equilíbrio, coerência. Isso não é lugar-comum; é currículo. E, convenhamos, faz falta. O “Wal” foi desses quadros que atravessam governos e ciclos mantendo o eixo no interesse público — algo que, no varejo da política, costuma ser artigo de luxo.

Por que importa

  • Legado de diálogo: sua atuação mostrou que firmeza e civilidade podem caminhar juntas — atributo cada vez mais raro e, portanto, valioso.
  • Serviço público contínuo: quatro mandatos como vereador, presidência da Câmara do Recife, quatro mandatos na Alepe e passagens técnicas no Executivo estadual compõem uma trajetória consistente e longeva.
  • Impacto imediato: a comoção institucional e os decretos de luto dimensionam a perda para Pernambuco e sinalizam a lacuna que se abre no parlamento estadual.

Encerramento

A despedida de Waldemar Borges, neste domingo, deve reunir a classe política, amigos e eleitores em torno de um consenso raro: o de que a boa política existe e teve nele um intérprete aplicado. Ficam as lembranças, o exemplo — e um recado oportuno aos que ficam: coerência não sai de moda. Que o luto oficial se converta, também, em compromisso prático com o diálogo que ele tanto defendeu.

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