A quinta edição do CineAlter – Festival de Cinema Latino-Americano de Alter do Chão – revelou sua programação oficial e promete movimentar Santarém e a vila de Alter do Chão entre 12 e 14 de junho, com exibições de filmes, debates, atrações musicais e atividades para o público infantil. Com o tema “Cinema das Juventudes: novas perspectivas, urgências e caminhos para o audiovisual”, o festival recebeu mais de mil inscrições independentes que mergulham na realidade amazônica e latino-americana. A maratona termina no domingo, 14, com a entrega do Troféu Muiraquitã aos vencedores. Para quem acha que juventude é só pauta de rede social, o CineAlter lembra que ela também pauta câmera, roteiro e, sobretudo, futuro.
O que o festival propõe
O foco na juventude não é enfeite de release: é um convite a olhar o audiovisual a partir de identidades, territórios, diversidade e dos desafios de realizar cinema na Amazônia e na América Latina. Segundo a organização, os filmes selecionados – após curadoria – atravessam temas urgentes como mudanças climáticas, comunidades tradicionais, territórios amazônicos e questões sociais da região.
Opinião do Maumau: quando um festival finca o pé na Amazônia e abre a janela para a América Latina, ele faz mais do que “mostrar filmes” – ele atualiza o mapa das narrativas, e isso é valioso num país onde o centro costuma esquecer as bordas.
Bastidores e parcerias
A programação foi lançada em coletiva no Centro Cultural João Fona, em Santarém, na sexta-feira (5). O CineAlter é realizado pelo Instituto Território das Artes (ITA) e conta com apoio da Prefeitura de Santarém, por meio da Secretaria Municipal de Cultura, além de instituições parceiras do setor cultural. Traduzindo do “editês”: dá trabalho, tem parceria e tem missão – fortalecer a produção audiovisual amazônica e ampliar o intercâmbio com outros territórios latino-americanos.
Programação dia a dia
Sexta-feira, 12 de junho
Alter do Chão
- CineAlterzinho com atividades para o público infantil, estudantes e instituições convidadas.
- Abertura oficial do festival.
- Mística tradicional do povo Borari.
- Apresentação da Banda Filarmônica Professor José Agostinho.
Santarém
- Exibição do documentário O Refúgio, de Rafael Duarte.
- Lançamento do filme Insurgências, dirigido por Érika Bauer.
- Show Amor, Amor, com Eduardo do Norte.
Sábado, 13 de junho
Alter do Chão – Sala de Cinema Allana Fernandes
- Mostra Arapiuns (não competitiva), com produções amazônicas.
- Sessão Cinema das Margens, dedicada a produções locais.
- Mostra Tapajós (competitiva), com curtas-metragens brasileiros e latino-americanos.
- Mostra Amazonas (competitiva), com longas-metragens brasileiros e latino-americanos.
- Transmissão da partida entre Brasil e Marrocos pela Copa do Mundo de 2026.
Após o jogo – Palco Multiartes
- Show Sei que Tu Gosta, com a cantora Mylla Silva.
Opinião do Maumau sobre o sábado: só no Brasil um festival de cinema dá um intervalo oficial para a Copa e segue com show. E está certíssimo. Cinema também vive de plateia feliz e de conversa no pós-jogo.
Domingo, 14 de junho
Sala de Cinema Allana Fernandes
- Continuação da Mostra Tapajós.
- Exibição de produções amazônicas.
- Lançamento regional da série Amazônia Ancestral, da diretora paraense Zienhe Castro.
- Continuação das mostras competitivas.
- CineAlterzinho com exibição do filme Tubarão Martelo, de Cláudio Fraga.
- Mostra Amazonas, com exibição dos longas-metragens em competição.
- Cerimônia de premiação e entrega do Troféu Muiraquitã aos vencedores.
Por que importa
- Protagonismo jovem: ao apostar nas “juventudes” no plural, o festival reconhece que não há uma única voz — há muitas, e elas vêm das margens, dos rios, das periferias e dos interiores. Isso oxigena o audiovisual.
- Amazônia em primeira pessoa: as pautas sobre clima, território e comunidades tradicionais aparecem narradas por quem vive a região. Ponto para a curadoria.
- Ecossistema cultural: com mostras competitivas e não competitivas, atividades infantis e shows, o CineAlter cria um circuito vivo entre Santarém e Alter do Chão. Cinema que ocupa praça, palco e conversa — meu tipo favorito.
Encerramento
Ao longo de três dias, o CineAlter deve reunir realizadores, estudantes, pesquisadores e amantes do cinema em sessões, debates e encontros que combinam arte, território e diálogo latino-americano. No fim, os vencedores levam o Troféu Muiraquitã; o público, a sensação de que o cinema amazônico está menos “promessa” e mais “presença”. E, convenhamos, quando um festival consegue equilibrar curtas, longas, Copa do Mundo e mística Borari, dá para dizer: programação afinada, espírito comunitário afiado e um lembrete necessário — o futuro do nosso audiovisual passa, sim, pelas juventudes da floresta.
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